Geografias Incertas


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"A presença da 'população de rua' está tão incorporada à paisagem que quase poderia se tornar banal, não fosse a percepção negativa que a maioria dos demais habitantes têm sobre este grupo. No Rio, os 'moradores de rua' são uma presença constante, principalmente no centro das cidade, onde é comum observa-los em práticas que seriam privadas como, por exemplo, tomar banho nos chafarizes das praças públicas, lavar e estender roupas, bem como dormir em calçadas e bancos de praça. Na verdade, no cotidiano de pessoas sem teto, a distância entre o público e o privado é bastante tênue.


'Geografias Incertas' toma emprestado um pouco das 'Annas' de Bertold Brecht e, através de uma dramaturgia construída sobre entrevistas com mulheres sem teto, explora as fronteiras, dinâmicas e as estratégias de sobrevivência entre pessoas excluídas dos códigos sociais. Um rompimento, um detonador, gera a criação de um outro tipo de território, não mais regido por carteiras de identidade, passaportes e artefatos que ratificam a identidade social e as fronteiras ortodoxas. Os mapas dessa geografia incerta, começam a ser delineados a partir desse primeiro passo, desse gesto 'para fora', que não chega a gerar lugar fixo e, menos ainda, confortável.


Nossa pesquisa, começada em 2008, incluiu entrevistas com mulheres sem teto em cidades do Brasil, dos Estados Unidos e da Europa. Aprendemos que dois sentimentos são centrais à problemática das mulheres que vivem nas ruas: vergonha e medo. Para elas, torna-se então necessário encontrar novas ferramentas para viver: mudar de corpo, de voz, de nome, de profissão é apenas o começo. Depois, o que faz a diferença é a atenção ao detalhe, a reação rápida a qualquer mudança no ritmo da rua, a percepção de um novo rosto, o uso de todos os possíveis talentos, “ter a mente aberta”, como ouvimos tantas vezes, e conservar a esperança.


Também confirmamos na prática a frase frequente - 'Isso pode ocorrer com qualquer um'. Assim, com o crescimento desta população de mulheres em situação de risco, pensamos ser importante alertar como essa condição não é tão fora da norma como parece ser. A falta de percepção acontece pela separação territorial e pelo olhar que teme ou se recusa a ver. Em Geografias Incertas, buscamos então criar um novo campo de forças, tecer um rede de relações entre as atrizes e a plateia que, a par de sua complexidade interna, define, ao mesmo tempo, um limite, uma alteridade: a diferença entre 'nós' (os membros da coletividade, os incluídos) e os 'outros' (os de fora, os estranhos, os excluídos)'.


Mais do que encenar estórias comoventes, nos interessa diminuir a distância entre 'nós' e 'os outros', evidenciar e dissipar preconceitos e estereótipos e provocar uma transformação no relacionamento entre cidadãos."

[texto de Regina Miranda]


Geografias Incertas

Texto e direção: Regina Miranda Música: Alberto Iglesias e Cole Porter Produção executiva: Alexei Waichenberg Realização: Cidades Criativas Transformações Culturais


13 de maio :: GEOGRAFIAS INCERTAS

20h: performance exandida

Confira aqui a programação completa.

Urbanicidade :: Ações Expandidas

21 de março a 23 de maio de 2015

Olho da Rua

Horários de visitação:

segunda a sexta das 9h às 13h e das 15h às 19h

sábado das 15h às 19h

Programação e atividades noturnas: segunda a quarta das 19h às 22h | quinta e sexta das 19h às 00h

Rua Bambina 06 - Botafogo - Rio de Janeiro - Brasil


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